Marcapasso aliado do coração!

O que é um marcapasso?
Um marcapasso é um pequeno dispositivo eletrônico que é implantado sob a pele, geralmente perto da clavícula. Ele é conectado ao coração por fios finos e flexíveis, chamados eletrodos.
A função principal do marcapasso é monitorar o ritmo natural do coração e, quando necessário, enviar impulsos elétricos para estimular o coração a bater no ritmo certo. Pense nele como um “assistente” para o seu coração, garantindo que ele continue batendo de forma eficiente.

- Associações Profissionais:
- Filiada à Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo)
- Atuações Hospitalares:
- Membro da equipe de cardiologia e reabilitação cardíaca dos Hospitais Samaritano Paulista e Higienópolis
- Formação:
- Pós graduação em cuidados paliativos no Instituto Paliar
- Pós Graduação em Fisiologia do exercício no CEFIT
- Especialização em Reabilitação Cardíaca no Instituto do Coração, INCOR
- Residência médica em cardiologia no Instituto do Coração, INCOR
- Residência médica em Clinica medica na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, PUC Campinas
- Graduação na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, PUC Campinas
Quando um marcapasso é indicado?
Existem algumas situações em que um médico pode recomenda o implante de um marcapasso. As principais indicações incluem:
- Bradicardia: Quando o coração bate muito lentamente, causando sintomas como tontura, fadiga, falta de ar ou até desmaios.
- Bloqueio cardíaco: Quando os sinais elétricos que controlam o batimento do coração são bloqueados, impedindo que o coração bata corretamente.

- Síndrome do nó sinusal doente: Uma condição em que o nó sinusal, o “marca-passo natural” do coração, não funciona adequadamente, causando batimentos lentos, rápidos ou irregulares.

- Insuficiência cardíaca: Em alguns casos específicos, um tipo especial de marcapasso chamado ressincronizador cardíaco (CRT) pode ajudar a melhorar a função do coração em pessoas com insuficiência cardíaca.
- Parada cardíaca (PCR) – em algumas situações dependendo da causa da PCR pode ser necessário o implante de um marca passo chamado CDI (cardiodesfibrilador implantável) – este marcapasso consegue interromper alguns tipos de arritmias que possam levar a PCR.
É importante ressaltar que a decisão de implantar um marcapasso é sempre tomada por um médico especialista, após uma avaliação completa do paciente e de seus exames.

Quais os tipos de Marcapasso:
1. Marcapasso Unicameral:
- O que é: Possui apenas um eletrodo, que é implantado em uma das câmaras do coração, geralmente no ventrículo direito (a câmara inferior direita). Ele estimula apenas essa câmara.
- Indicações: Principalmente utilizado para tratar bradicardia (frequência cardíaca muito baixa) quando há um problema isolado na geração ou condução dos impulsos elétricos nessa câmara específica. Pode ser indicado em casos de fibrilação atrial com resposta ventricular lenta, onde a estimulação atrial não é possível ou necessária. Em algumas situações de emergência, um marcapasso unicameral temporário pode ser utilizado.
2. Marcapasso Bicameral:
- O que é: Possui dois eletrodos, um implantado no átrio direito (câmara superior direita) e outro no ventrículo direito. Ele pode estimular ambas as câmaras do coração e coordena a contração atrial com a ventricular, imitando o ritmo natural do coração de forma mais fisiológica.
- Indicações: É frequentemente indicado para pacientes com doença do nó sinusal (o “marca-passo natural” do coração não funciona bem) e bloqueio atrioventricular (BAV), onde a comunicação elétrica entre os átrios e os ventrículos está comprometida. Ao manter a sincronia atrioventricular, ele pode melhorar o débito cardíaco e aliviar sintomas como fadiga e falta de ar. Em alguns casos, pode ser usado para prevenir a fibrilação atrial em pacientes com doença do nó sinusal.

3. Ressincronizador cardíaco – (CRT – Terapia de Ressincronização Cardíaca):
- O que é: Este tipo de marcapasso é mais complexo e geralmente possui três eletrodos: um no átrio direito, um no ventrículo direito e outro no ventrículo esquerdo (através de uma veia coronária). O objetivo é ressincronizar a contração dos ventrículos em pacientes com insuficiência cardíaca e bloqueio de ramo esquerdo (um atraso na ativação elétrica do ventrículo esquerdo). Ao fazer com que os ventrículos se contraiam de forma mais coordenada, o CRT pode melhorar a eficiência do bombeamento sanguíneo.
- Indicações: Principalmente para pacientes com insuficiência cardíaca sintomática (classe funcional II, III ou IV da NYHA) que apresentam disfunção ventricular esquerda (coração fraco) e um bloqueio de ramo esquerdo no eletrocardiograma. O CRT visa aliviar os sintomas da insuficiência cardíaca, melhorar a qualidade de vida e, em alguns casos, reduzir o risco de hospitalização e morte.
4. Cardiodesfibrilador implantável (CDI)
Um CDI é um dispositivo implantado sob a pele, geralmente perto da clavícula, semelhante ao marcapasso. Ele também possui eletrodos que são conectados ao coração através das veias. No entanto, a principal diferença é que o CDI é projetado para detectar e corrigir ritmos cardíacos perigosamente rápidos e irregulares, chamados taquiarritmias ventriculares (taquicardia ventricular e fibrilação ventricular), que podem levar à morte súbita cardíaca.
Enquanto o marcapasso se concentra em estimular o coração a bater quando está muito lento ou irregular, o CDI age quando o coração está batendo rápido demais e de forma caótica. Ele pode fazer isso de duas maneiras:
- ATP no CDI significa Antitachycardia Pacing. É uma função presente em muitos Cardioversores Desfibriladores Implantáveis (CDIs) que visa interromper episódios de taquicardia ventricular (TV), um ritmo cardíaco perigosamente rápido originado nos ventrículos, sem a necessidade de um choque elétrico.
- Desfibrilação: Se o ritmo for muito perigoso, como na fibrilação ventricular (quando o coração treme e não bombeia sangue), o CDI libera um choque elétrico de alta energia para tentar “resetar” o coração e permitir que ele volte a bater normalmente.
Alguns CDIs também possuem a função de marcapasso, podendo estimular o coração se ele ficar muito lento.
Quando um CDI é indicado?
A implantação de um CDI é geralmente recomendada para pessoas que apresentam alto risco de desenvolver taquiarritmias ventriculares perigosas. As principais indicações incluem:
- Sobreviventes de parada cardíaca: Pessoas que já tiveram um episódio de fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular que causou perda de consciência.
- Taquicardia ventricular sustentada: Pessoas que têm episódios recorrentes de batimentos cardíacos muito rápidos originados nos ventrículos.
- Cardiomiopatia isquêmica com fração de ejeção reduzida: Pacientes com enfraquecimento do músculo cardíaco (insuficiência cardíaca) e baixa capacidade de bombeamento de sangue (fração de ejeção menor ou igual a 35%), mesmo que não tenham tido arritmias perigosas antes (prevenção primária).
- Certas condições cardíacas hereditárias: Como a síndrome do QT longo, síndrome de Brugada ou displasia arritmogênica do ventrículo direito, que aumentam o risco de arritmias malignas.
- Síncope de causa indeterminada: Em alguns casos, quando a causa de desmaios repetidos pode ser uma arritmia ventricular perigosa.
Assim como o marcapasso, a decisão de implantar um CDI é tomada por um cardiologista especialista após uma avaliação completa.

Quais são os riscos?
O implante de um CDI também envolve alguns riscos, semelhantes aos do marcapasso, mas com algumas considerações adicionais:
- Infecção: No local da incisão ou ao redor do dispositivo e dos eletrodos.
- Sangramento e hematoma: Acúmulo de sangue sob a pele.
- Pneumotórax: Acúmulo de ar entre o pulmão e a parede torácica (raro).
- Deslocamento do eletrodo: O eletrodo pode sair da posição ideal.
- Complicações relacionadas à anestesia.
- Choques inapropriados: O CDI pode, ocasionalmente, liberar um choque para um ritmo cardíaco que não era perigoso. Isso pode ser desconfortável e requer ajuste da programação do dispositivo.
- Falha do dispositivo: Embora raro, o CDI pode apresentar mau funcionamento.
- Ansiedade e medo: Algumas pessoas podem sentir ansiedade em relação à possibilidade de receber um choque.
O principal benefício do CDI é a prevenção da morte súbita cardíaca. Para pessoas com alto risco de taquiarritmias ventriculares, o CDI pode ser um dispositivo que salva vidas, agindo rapidamente para restaurar um ritmo cardíaco normal.
É importante ter acompanhamento médico regular para verificar o funcionamento do CDI, a bateria e ajustar as configurações conforme necessário. Viver com um CDI requer algumas precauções, como evitar campos magnéticos fortes, no geral as pessoas levam uma vida normal e ativa com o dispositivo.
É crucial entender que a escolha do tipo de marcapasso depende da condição específica do paciente, dos sintomas apresentados e dos resultados de diversos exames cardiológicos. A decisão final é sempre tomada pelo médico especialista em conjunto com o paciente.

Diferentes situações do uso do marcapasso
Marca-passos temporários (usados em situações agudas)
Os marca-passos temporários são usados para regularizar o ritmo cardíaco em situações agudas e temporárias. como após cirurgias cardíacas, após alguns tipos de infartos, ou em alguma emergência quando o coração não consegue manter seu ritmo normal, até que seja encontrada uma solução definitiva para o problema.
Tipos de marca-passos temporários:
Existem diferentes tipos de marca-passos temporários, incluindo:
Marcapasso transcutâneo ou transtorácico
Neste tipo de marca-passo são usados, na pele do paciente, eletrodos adesivos para enviar impulsos elétricos ao coração, normalmente usado em emergência.

Marca-passo transvenoso: Os eletrodos são inseridos em uma veia e guiados até o coração.


Tipos de Marcapassos Permanentes
Existem diferentes tipos de marcapassos, classificados principalmente pelo número de câmaras cardíacas que eles estimulam:
- Marcapasso de Câmara Única (VVI ou AAI): Possui um único eletrodo que estimula ou monitora uma única câmara cardíaca (ventrículo direito para VVI, átrio direito para AAI). O VVI é o tipo mais comum e é usado quando o principal problema é uma arritmia chamada fibrilação atrial com baixa frequência cardíaca.
- Marcapasso de Câmara Dupla (DDD): É o tipo mais comum atualmente. Possui dois eletrodos, um no átrio direito e outro no ventrículo direito. Ele é capaz de monitorar e estimular ambas as câmaras, mantendo a coordenação atrioventricular e imitando mais de perto o ritmo cardíaco natural.
- Marcapasso Biventricular (Terapia de Ressincronização Cardíaca – TRC): Possui três eletrodos: um no átrio direito, um no ventrículo direito e um no ventrículo esquerdo (geralmente através de uma veia cardíaca). Este tipo é usado para pacientes com insuficiência cardíaca avançada e bloqueio de ramo esquerdo, ajudando a coordenar as contrações dos ventrículos e melhorar a função de bombeamento do coração.

O Procedimento de Implante
O implante do marcapasso é um procedimento cirúrgico relativamente simples, realizado sob anestesia local e, por vezes, com sedação. Geralmente, dura cerca de uma a duas horas.
- Incisão: É feita uma pequena incisão (cerca de 5-7 cm) na região superior do tórax, geralmente abaixo da clavícula, no lado esquerdo ou direito.
- Acesso Venoso: O médico localiza a veia subclávia e insere os eletrodos.
- Posicionamento dos Eletrodos: Com o auxílio de um aparelho de raios-X (fluoroscopia), os eletrodos são cuidadosamente guiados através da veia até as câmaras cardíacas apropriadas. O posicionamento exato é crucial para o funcionamento eficaz do dispositivo.
- Testes: Uma vez que os eletrodos estão no lugar, são realizados testes para verificar a estabilidade e a capacidade de estimulação e sensibilidade.
- Conexão e Bolso: Os eletrodos são então conectados ao gerador de pulsos, que é colocado em um pequeno “bolso” criado sob a pele e o músculo.
- Fechamento: A incisão é fechada com suturas.
Após o procedimento, o paciente geralmente permanece no hospital por um dia para observação e para garantir que o marcapasso esteja funcionando corretamente.
Cuidados pós-implante:

Cuidados Imediatos (Primeiras Semanas):
- Repouso relativo: Evitar atividades extenuantes e movimentos bruscos com o braço do lado em que o marcapasso foi implantado por algumas semanas (geralmente 2 a 4 semanas). Isso ajuda a evitar o deslocamento dos eletrodos.

- Imobilização parcial do braço: Em alguns casos, pode ser recomendado o uso de uma tipoia (poucos dias) ou evitar elevar o braço acima do ombro por um período determinado.

- Cuidados com a incisão:
- Manter o curativo limpo e seco conforme as orientações médicas.
- Observar sinais de infecção, como vermelhidão, inchaço, calor, dor crescente ou secreção no local da cirurgia. Caso ocorram, procurar atendimento médico imediatamente.
- Lavar a área suavemente com água e sabão neutro após a remoção do curativo, sem esfregar vigorosamente.
- Secar bem a área após o banho.

- Controle da dor: Utilizar analgésicos conforme a prescrição médica para aliviar qualquer desconforto.

- Evitar pressão sobre o local do implante: Não usar roupas apertadas ou carregar bolsas com alças que exerçam pressão diretamente sobre a área do marcapasso.

- Restrições de atividades: Evitar levantar peso (geralmente acima de 2-5 kg) e realizar atividades que envolvam movimentos amplos ou repetitivos do braço do lado do implante, conforme a orientação médica.

- Dirigir: A maioria dos médicos recomenda evitar dirigir por algumas semanas (geralmente 2 a 4 semanas) após o implante, para garantir que reflexos e movimentos não sejam prejudicados por qualquer desconforto ou limitação.


- Cuidados a Longo Prazo:
- Acompanhamento médico regular: Comparecer a todas as consultas de acompanhamento com o cardiologista para verificar o funcionamento do marcapasso, a bateria e realizar ajustes se necessário. A frequência dessas consultas pode variar.
- Portar a carteirinha do marcapasso: Sempre levar consigo a carteirinha de identificação do portador de marcapasso, que contém informações importantes sobre o dispositivo (modelo, data de implante, médico responsável, etc.). Ela pode ser necessária em situações de emergência e ao passar por detectores de metal.

- Informar outros profissionais de saúde: Comunicar todos os médicos, dentistas e outros profissionais de saúde sobre a presença do marcapasso antes de qualquer procedimento médico ou odontológico. Alguns procedimentos podem exigir precauções especiais ou serem contraindicados.
- Precauções com equipamentos eletrônicos e campos magnéticos:
- Telefones celulares: Utilizar o telefone no ouvido oposto ao lado do implante e evitar carregar o celular diretamente sobre o marcapasso.
- Detectores de metal: Ao passar por detectores de metal em aeroportos, bancos, etc., apresentar a carteirinha do marcapasso. Geralmente, o dispositivo pode acionar o alarme, mas não costuma ser afetado.
- Ressonância Magnética (RM): Nem todos os marcapassos são compatíveis com RM. Informar sempre o médico sobre o marcapasso antes de realizar este exame. Existem modelos de marcapasso “RM condicional” que permitem o exame sob condições específicas.
- Outros equipamentos: Evitar contato próximo e prolongado com equipamentos que geram campos magnéticos fortes, como alguns tipos de equipamentos industriais ou de solda. A maioria dos eletrodomésticos de uso doméstico (micro-ondas, televisão, etc.) não representa risco significativo, desde que estejam em bom funcionamento e utilizados de acordo com as instruções do fabricante. Manter uma distância segura (geralmente 15-30 cm) é recomendado.
- Atividade física: A maioria das pessoas com marcapasso pode levar uma vida ativa. O médico orientará sobre quais atividades são seguras e quando podem ser retomadas (no geral deve se esperar 1 mês após implante antes de retomar os exercícios), geralmente evitando esportes de contato ou atividades que possam causar impacto direto na área do implante.
- Sinais de mau funcionamento do marcapasso: Estar atento a sintomas como tonturas inexplicáveis, palpitações, falta de ar ou desmaios, que podem indicar um problema com o dispositivo. Nesses casos, procurar atendimento médico imediatamente.
- Não manipular o local do implante: Evitar tocar ou pressionar excessivamente a área onde o marcapasso está localizado.
- Higiene: Manter uma boa higiene pessoal, incluindo a limpeza regular das unhas, para reduzir o risco de infecção, especialmente no local da incisão (mesmo após a cicatrização).
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- Associações Profissionais:
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Referências : Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardícos Eletrônicos Implantáveis (DCEI) – 2023.